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3 de janeiro de 2018

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Refused: pedaços de plástico parcialmente comido por animais marinhos | Foto: Mandy Barker
  No reinado de Momo, purpurina e glitter são soberanos em blocos de rua e no Sambódromo. Mas a onipresença desses microplásticos no carnaval preocupa especialistas, atentos ao escoamento desse tipo de material no mar, onde o produto demora séculos até se decompor.
  A polêmica ganhou as redes sociais esta semana, com um texto do site “Pedra Ambiental” intitulado “Glitter e purpurina: a brincadeira de carnaval que destrói a vida nos oceanos”. O artigo foi intensamente compartilhado, intrigando entusiastas do carnaval. Mas diferentes estudos científicos reforçam o argumento dos ambientalistas.
  Uma pesquisa publicada em 2015 na revista “Nature” estimou que cerca de 8 milhões de toneladas métricas de plástico chegam anualmente nos oceanos. Outro levantamento, divulgado na “Environmental Research Letters”, indicou que até 236 mil toneladas métricas seriam de microplásticos — uma quantidade 37 vezes maior da calculada até então. A diferença equivale ao peso de 1.300 baleias azuis.
  Biólogo e especialista em vida marinha do Instituto Oswaldo Cruz, Salvatore Siciliano alerta que o plástico pode demorar centenas de anos até entrar em decomposição. E o mar está cheio de exemplos sobre seus danos.
Já encontrei um bagre que engoliu uma camisinha, que acabou perfurando seu estômago — conta. — Mesmo falando apenas de microplásticos, acho que o carnaval contribui para a degradação do meio ambiente. A purpina e o glitter deveriam ser desestimulados. Por que não usar urucum, como faziam os índios? Seria melhor para todos.
  Cláudio Gonçalves Tiago, pesquisador do Centro de Biologia Marinha (Cebimar-USP), reconhece que os microplásticos podem atrapalhar a obtenção de alimentos para os organismos.
Embora sejam substâncias muito pequenas, devemos considerar que elas aparecem em grande quantidade, especialmente na zona litorânea — explica. — Quando temos uma contingente enorme de plásticos, até a fotossíntese das algas pode ser prejudicada. O glitter e a purpuina não têm tamanho para provocar o mesmo efeito, mas chegam com muita facilidade ao mar, até porque muitos banhistas vão para o oceano tomar banho.
  O biólogo, então, recomenda distância de glitter e purpurina.
É uma poluição desnecessária, assim como o rojão é desnecessário, por causa da poluição sonora. Na verdade, acho que nós não fazemos muito bem ao meio ambiente.

Fonte: O Globo | Via: ANDA

3 de fevereiro de 2017

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Depois da festa, quando você toma banho, as partículas coladas em seu corpo escorrem pelo ralo e se juntam às 8 milhões de toneladas de plástico que são lançadas nos oceanos todos os dias.
  É típico do carnaval de rua: corpos pouco vestidos mas com muita purpurina e glitter, em uma festa bonita e colorida. Mas o que acontece depois? Se você pensou ressaca, você acertou também. Mas a ressaca passa e a vida segue, enquanto o glitter e a purpurina vão aniquilando a vida por onde passam.
  Microplásticos é como são chamados as minúsculas partículas feitas desse material que, basicamente, não se decompõe. No caso dos microplásticos usados na pele durante o carnaval, é comum que sejam feitos de copolímeros de plástico e folículos de alumínio. Depois da festa, quando você toma banho, as partículas coladas em seu corpo escorrem pelo ralo e se juntam às 8 milhões de toneladas de plástico que são lançadas nos oceanos todos os anos.
  Os microplásticos são do pior tipo possível. Por conta de seu tamanho, é praticamente impossível recolhê-los e, por essa razão, eles somam 85% de todo o plástico encontrado na natureza. Nas águas, os plásticos costumam matar peixes, tartarugas e outros seres, que os ingerem confundindo com comida. O glitter e a purpurina são ainda mais maléficos: podem ser engolidos desde pelos seres mais diminutos até os do topo da cadeia alimentar.
  Além da morte dos animais, há ainda a questão econômica. Com a diminuição da vida aquática, toda a pesca fica prejudicada e, também, todos os povos e comunidades que dependem dela para sobreviver.
  Você pode até pensar que as grandes indústrias poluem demais o ambiente e que um pouquinho de glitter não vai fazer esse mal todo. Mas, convenhamos, o glitter e a purpurina são tão necessários assim? Fazer menos que o mínimo para tornar o mundo melhor é realmente fazer muito pouco.
  O espírito anárquico do carnaval não combina com prepotência. Neste carnaval, divirta-se sem destruir. Cuide dos oceanos e descuide do resto. Boa festa!


Fonte/Via: Pedra Ambiental

*Adendo Glitter: Muitas pessoas perguntaram se retirar as purpurinas com algodão e demaquilante resolveria a questão. Bem, plástico continua sendo plástico e pode levar mais de um milhão de anos para se decompor. Na terra ou na água, ele terá impacto. A política do consumo humano racional e autoconsciente costuma seguir os 4Rs: recuse, reduza, reutilize, recicle.


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